A CRISE PURIFICA E FAZ CRESCER
De crise vem crisol, recipiente onde se purifica o ouro das gangas. Acrisolar quer dizer purificar e limpar o ouro das aderências que, ao longo do tempo, se incrustaram ao seu redor, a ponto de escondê-lo, tirando-lhe todo o brilho.
O que era acidental parece ter se tornado essencial. Mas eis que surge a crise. Ela é dolorosa e libertadora. Produz a purificação do cerne. O que assumira indevidamente papel principal é relegado à função secundária.
Depois de qualquer crise, seja corporal, psíquica, moral ou religiosa, o ser humano renasce.
Sai aliviado. Liberta energias poderosas que tornam a vida revigorada e cheia de sentido.
ASSUMIR COM CORAGEM A CRISE
Só crescem e maduram aqueles que vêem nas crises uma chance de nova vida. Mas há uma condição: enfatizar as forças positivas contidas na crise e ter coragem de reformular ou inventar respostas que integrem as várias dimensões da vida.
Esses não rejeitam o passado por ser passado. Aprendem com ele porque sabem que é um repositório das grandes experiências humanas.
Todo valor, de onde quer que venha, é apreciado como valor e deverá ajudar na formulação de um novo olhar.
Mesmo assim não temem ir além do passado nem se eximem de fazer suas experiências. Então se fazem responsáveis, quer dizer, aqueles que têm a coragem de dar uma resposta pessoal aos desafios da crise.
Não perdem tempo em polêmicas estéreis ou na defesa daquilo que não representa o futuro. Mas trabalham e se engajam profundamente na realização de um sonho que corresponda aos desafios da crise, abertos à crítica e à autocrítica, dispostos a aprender sempre.
Essas são as pessoas responsáveis, aquelas que se definem por um a favor e não simplesmente por um contra.
Ao acolher a crise com toda a sua obscuridade, são presenteadas com uma luz que lhes transfigura o coração e que lhes aponta para uma direção cheia de novas oportunidades.
Toda situação de crise, para ser superada, exige uma decisão. Que, por sua vez, define uma trilha nova e uma direção diferente.
Por isso a crise é grávida de vitalidade criadora. Não é sintoma de uma catástrofe iminente, mas o "momento crítico" em que a pessoa questiona radicalmente seu destino, o mundo que a cerca e a si mesma, sendo convocada não a opinar sobre isso ou aquilo, mas a decidir um caminho para sua vida. Sem essa decisão, não há saída da crise. Idéias podemos ter muitas. Mas o que nos modifica são as decisões que tomamos.
São elas que nos abrem caminho e fazem crescer nossa irredutível identidade pessoal.
( Desconheço o autor da fotografia )