[ O poema, que ora transcrevo, me toca profundamente a alma por
sua carga expressiva aliada à beleza da temática .
Afinal, quem não gosta de POESIA... de ESTRELAS?... ] *****
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi:
OLAVO BILAC -Nasceu no Rio de Janeiro em 1865 e aí morreu em 1918. É
um dos melhores poetas do Parnasianismo Brasileiro. Junto com Alberto de Oliveira e Raimundo Correia forma a Tríade Parnasiana. Sua poesia apresenta várias temáticas. Dentro da linha parnasiana, escreveu poemas sobre quadros referentes à Antigüidade como, por exemplo, em "A Sesta de Nero" e "O Incêndio de Roma".
Abordou também fatos da História do Brasil, como em "O Caçador de Esmeraldas", onde exalta a figura do bandeirante Fernão Dias Paes.
A par disso, sua obra expressou seu mundo interior através de poesia lírica, amorosa e sensual, em que abandona o tom comedido da escola. ******