sexta-feira, 17 de abril de 2020

AO OCASO


Sob estas horas fundas do Ocaso,
Escuto as notas de uma melodia
Que a voz afável de uma ave cria
E distribui por cima dos telhados.

A tarde inteira então se ornamenta
Para o espetáculo e se enriquece
Com outras vozes que se unem em prece,
Rogando alívio para a tormenta.

É quando todo o meu Ser contrito
Abre os seus olhos para o Infinito
E ali descansa sua aflição.

Na paisagem, tudo se harmoniza...
( Sinto-me envolta por suave brisa,
Que me acalma e acalenta o coração...) 

( Foto: "Eternessências")




terça-feira, 7 de abril de 2020

PALAVREADO


Fonte da imagem: "Palavras Belas"


Enquanto
 escrevo, 
recupero,
em mim,
 o tom,
esmaecido
na pauta
dos dias.

E cada nota
me alavanca,
me põe à parte,
estanca o tempo - 
que é de recolhimento.


Parte
 de mim
flutua...
busco,
 no Todo,
a imensurável
certeza
que a 
esperança
cria.

Sou palavra:
teço mundos,
traço rotas
e me faço
 instrumento,
para
 compor
melodias,
que vou
 lançando
ao vento...


segunda-feira, 6 de abril de 2020

QUARENTENA


Em tempo de COVID 19
rever valores, construir novos caminhos,fortalecer os afetos,
solidarizar-se, abrir-se a um NOVO TEMPO, mais respeitoso e empático! Eis que chega uma NOVA ERA para o planeta TERRA!

(Desconheço a autoria da imagem)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

SONETO (EM ABRIL)



"Nos remansosos céus de abril, te juro,
É por amor do amor que te procuro."

( Ruth Maria Chaves Martins)


(Imagem de autoria desconhecida)

É por amor do teu olhar de rio,
De profundeza e de sentidos prantos,
Que te procuro, quase num cicio,
Que te invoco em silêncio brando.

É por amor de tua voz macia,
Que a saudade pôs-se a recordar,
Que me afino à tua melodia
E me enterneço por te reencontrar...

E, embora o tempo teça o seu cenário,
É por amor que guardo, em meu sacrário,
Tua poesia, nestes céus de abril.

"É por amor do amor que te procuro",
Que me abrigo em teu sorriso puro,
É por amor do amor, alma gentil!..

quarta-feira, 1 de abril de 2020

LIQUEFEITO



   (Porque, em tempos de isolamento social,
a leveza é uma apelo íntimo...)


                
       E a chuva chega com precisão.
   Água do Céu, vai lavando toda inconstância, amenizando o fervor das opiniões e a solidão das dores.
      Enquanto cai, ininterrupta em seu curso, marca o ritmo do tempo, acorda a acústica da alma, e, então, escuto o murmúrio da vida, que me confessa sua tentativa de permanência, apesar dos fatos. 
         "Há, em tudo, um sentido claro." - ela me diz.                    Acolho sua sabedoria e, como a chuva, transbordo-me em fluidez...
               
                     

terça-feira, 31 de março de 2020

O COLECIONADOR



Meu coração peregrino,
sem jeito de se encontrar, 
anda daqui para ali, 
corre de lá pra cá.
E se perde por vielas,
aos pulos, em desatino
ora com medo, assustado,
ora levado e ladino.


Agora deu, o danado,
de colecionar saudade:
de gente, fatos, lugares,
memórias que não têm fim...

Pergunto-lhe se é vantagem
brincar com lembranças idas
e que jamais voltarão.
Ele então me responde
que a vida dá os caminhos
e a gente faz a opção;
um coração sem saudade,
 sem nada para lembrar,
bate fora do seu ritmo,
é como onda sem mar...

Calo-me, sem argumento
ante tal filosofia,
enquanto ele segue atento,
colecionando poesia...

(Imagem de autoria desconhecida)

quinta-feira, 26 de março de 2020



  PANDEMIA
( poema de quarentena)

Resultado de imagem para pandemia

Foi preciso forçar a pausa, 
ante o tom de perplexidade...
( Sob a ameaça invisível,
desalinho em toda parte!)

Foi preciso calar o ego
e ouvir a íntima voz;
recuperar os velhos rumos
 e  se desvencilhar dos nós.

Foi preciso muita coragem
no isolamento prescrito;
cada qual era um deserto,
reverberando o seu grito.

E quanto mais eram afastados,
 mais se buscavam com sede,
mais expunham a sua essência,
conectando-se em rede. 

Se o mundo, estupefato,

globalizava a sua dor,
a vida gerava as sementes
de um tempo mais promissor.

Todo o esforço foi preciso
(também toda a indignação!)
para a proteção do outro
em uníssona oração.

Foi preciso, então, que, à distância,
o encontro não se perdesse,
que os sentimentos falassem,
e os sonhos, no fim, vencessem...



Fonte da imagem:

www.brasilescola.uol.com.br












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