sábado, 21 de fevereiro de 2009

ECOTERNURA

"Somos ternos quando abandonamos a arrogância de uma lógica universal e nos sentimos afetados pelo contexto, pelos outros, pela variedade de espécies que nos cercam. Somos ternos quando nos abrimos à linguagem da sensibilidade, captando em nossas vísceras o prazer ou a dor do outro. Somos ternos quando reconhecemos nossos limites e entendemos que a força nasce de compartilhar com os outros o alimento afetivo. Somos ternos quando fomentamos o crescimento da diferença, sem tentar nivelar aquilo que nos contrasta. Somos ternos quando abandonamos a lógica da guerra, protegendo os nichos afetivos e vitais para que não sejam contaminados pelas exigências de funcionalidade e produtividade a todo transe que pululam no mundo contemporâneo.

(...) Sermos ternos é entender que não somos o centro hierárquico do ecossistema, pois, ao depender biológica e afetivamente, nos descentramos, admitindo que o eixo ordenador passa por seres ao mesmo tempo diferentes e distantes de nós. Aceder à racionalidade ecológica e à causalidade retroativa é permitir a emergência de um sentimento de fratura em nossa imagem de reis da criação, pois nos ecossistemas não há centro, nem chefe, nem quem ordene ou obedeça. O ecossistema é pluricêntrico e reconstrói a cada instante, a partir de cada um de seus centros, toda a atividade da cadeia vivente, sempre aberto a múltiplos contatos, a variadas zonas de incerteza e indeterminação. É na captação sensível desta variedade que está a sabedoria do ser vivente para articular-se às cadeias biológicas que lhe asseguram sua nutrição e crescimento."
"O Direito à Ternura" - Luís Carlos Restrepo
Fonte da fotografia: 1000 imagens

3 comentários:

Beth/Lilás disse...

Muito lindo, Rose!
Mas, cada vez mais vejo como somos distantes desse ser humano que deveríamos ser. Tô assistindo a cada dia um mundo mais sem ternura e é apavorante!
beijos cariocas

Mel disse...

Oi Rose!

Gentileza com a natureza, pois também somos parte dela!

:) Bom fim de semana!
Um beijo!

Irmão Sol, Irmã Lua disse...

Querida "Sorella",
Que a TERNURA permaneça sempre viva em nossos corações, apesar dos homens.
Acolhemos a "mãe natureza" para, assim, nos sentirmos parte dela.
Um beijo sempre terno,
Benja.

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