quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

CARTA DE ANO NOVO

2008 termina.
Mais um tempo vivenciado se cala, para tornar, vez em quando, em estado de lembrança...
Muitas vozes se ouviram neste ano!... Ecos de ternura e canção nos dias alquebrados - corredores abertos à passagem de sentidos...
Também marcaram forte presença alguns tons dissonantes e secos, que serviram para aprendermos o valor da harmonia, enriquecendo nosso caráter.
O NOVO ANO nos chega em branco, para fazermos do sonho, nosso alimento e da esperança, nossa companheira ideal; convoca-nos a agirmos mais por dentro de nós mesmos, deixando que os bons sentimentos extravasem sua mensagem...
Para o ANO que desponta, agendarmos mais alma e coração, porque o tempo urge, e a vida é que nos contém em sua sabedoria; deixarmos fluir a essência que habita a nossa natureza e criarmos possibilidades de vivências especiais: um afago sem pressa, a poesia do pôr-do-sol, uma troca de possíveis silêncios, um jeito novo de olhar luminosidades e transparências... Fitarmos o Céu com reverência e delicadeza, permitindo que ele se instale em nós e instaure sua beleza... Darmos dignidade à existência e combate firme aos percalços que, certamente, virão; fortalecermos o sorriso e engrandecermo-nos com a lágrima... Caminharmos como quem cresce em direção ao Infinito!...
Para o ANO que desponta, sermos fiéis à Unidade - um jeito de nos alargarmos em consciência e luz!... Sermos o dom da alegria e um núcleo de confiança a se expressarem continuamente... Porque o NOVO é o que fazemos, renascendo todos os dias, perseverando a cada instante, buscando o Inefável na simplicidade das coisas e dos fatos!...
Pela
VIDA que transborda de nossos corações,
FELIZ ANO NOVO
!
PAZ E LUZ!
Com carinho,
Rose
( Imagem de autor desconhecido )

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

REINAUGURAÇÃO

[ Porque o NOVO ANO nos chega , de mansinho,
fértil de esperanças e possibilidades!...
Que o recebamos com ternura e poesia!... ]
( Fonte da imagem:www.acessorestrito.blogger.com.br )
Entre o gasto dezembro e o florido janeiro,
entre a desmistificação e a expectativa,
tornamos a acreditar, a ser bons meninos,
e como bons meninos reclamamos
a graça dos presentes coloridos.
Nessa idade - velho ou moço - pouco importa.
Importa é nos sentirmos vivos
e alvoroçados mais uma vez, e revestidos de beleza, a
exata beleza que vem dos gestos espontâneos
e do profundo instinto de subsistir
enquanto as coisas em redor se derretem e somem
como nuvens errantes no universo estável.
Prosseguimos. Reinauguramos. Abrimos olhos gulosos
a um sol diferente que nos acorda para os
descobrimentos.
Esta é a magia do tempo.
Esta é a colheita particular
que se exprime no cálido abraço e no beijo comungante,
no acreditar na vida e na doação de vivê-la
em perpétua procura e perpétua criação.
E já não somos apenas finitos e sós.
Somos uma fraternidade, um território, um país
que começa outra vez no canto do galo de 1º de janeiro
e desenvolve na luz o seu frágil projeto de felicidade.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

CANÇÃO



"Não sou eu que me faço voar.
O alto é que me voa."
JORGE VERCILO
Fonte da imagem:
sapo

A MÁQUINA DO TEMPO

Se a máquina do tempo nos tritura,
ao mesmo tempo cria imagens novas.
Renascemos em cada criatura
que nos traz do Infinito as boas novas.
CARLOS DRUMMOND
DE ANDRADE
( Imagem de autoria desconhecida )

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Em meio às nossas celebrações do Natal,
perguntemos aos nossos corações:
Porque NATAL é, antes de tudo,
aproximação amorosa e consciente
de Sua Missão Divina entre nós!...
*******
A todos vocês, amigos queridos,
Um Natal pleno de bênçãos espirituais!...
Fonte da imagem: www.lucaspedro.com

ESSENCIAL É...

ABRIRMOS
A ALMA PARA

( Imagem de autor desconhecido )

sábado, 20 de dezembro de 2008

CARTÃO DE NATAL

Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:

que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem,
o sim comer o não.

JOÃO CABRAL DE MELO NETO

( Fotografia de autor desconhecido )


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

REEDITAR-SE

[ Porque todo dia é tempo de inscrição na vida;
todo dia nos pede um gesto novo,
uma palavra fértil, um olhar menino...]
( Imagem de autor desconhecido )
Viver é reeditar-se diariamente
Entre palavras e gestos, renascendo
A cada dia, e sempre lentamente
Como uma criança crescendo...
E cada dia é um dia diferente
Por isso é que é vivendo e aprendendo...
Viver é reeditar-se avidamente
Como um riacho correndo...
Nada acontece da mesma maneira.
Uma segunda-feira e outra segunda-feira
Não são exatamente o mesmo dia...
Reeditar-se. E a única certeza
É estar em paz com a própria natureza,
É estar de bem com a própria poesia...
Luís Alberto Mussa Tavares
* Este poema foi dedicado a Roberta Profice pelo seu autor *

SAUDAÇÃO

Ave, Maria!
Ave, carne florescida em Jesus.
Ave, silêncio radioso,
urdidura de paciência
onde Deus fez seu amor inteligível!
ADÉLIA PRADO
Fonte da imagem: www.catedraldeniteroi.com

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

ADVENTO

Fonte da imagem: www.cancionueva.net
há pássaros nos olhos
bicando na alma:
a beleza do mundo
exibindo o desejo.
então o olhar é um imenso
vôo, singular ensejo
e a alma é geograficamente
todo o universo.
JOSÉ ALMEIDA DA SILVA

sábado, 13 de dezembro de 2008

1ª PREPARAÇÃO DO NATAL

[ Porque é tempo de nos aquietarmos ,
para que a mensagem sublime do Natal
se faça sentir por nossos corações... ]
PROJETO EM FLOR
Projeto em flor, candeia acesa,
chega Natal e nos convida
a juntar bondade e beleza
no sem-par mistério da vida.
( Carlos Drummond de Andrade )
( Imagem de autoria desconhecida )

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

INSTANTÂNEO

A vida ecoa
sobre a tarde aérea
e deserta de sol.

Um canto de pássaro,
ao longe, voa...
e o ritmo do meu coração
faz sinfonia de graça
enquanto o tempo
passa...
( Imagem de autor desconhecido )






PENSAMENTO RECORRENTE

[ Tudo de bom para corpo e alma!... ]

Fonte da imagem: www.globo.com

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

AFORISMO

"Cala-te, mas que não seja demasiado,
para não perderes o uso da voz."

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
em "O Avesso das Coisas"



segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

ESSÊNCIA ...

DO ENTUSIASMO

A palavra entusiasmo é de origem grega
e seu sentido etimológico é ter Deus dentro de si.
Quem é entusiasmado, portanto, acredita em si e nos outros, porque sabe que, em todos, há uma força latente, capaz de impulsionar à ação positiva.
O ENTUSIASMO TRAZ UMA NOVA VISÃO DE VIDA.
( Desconheço a autoria da imagem )


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O POETA (fragmentos)

A vida do poeta tem um ritmo diferente
(...)
Ele é o eterno errante dos caminhos
Que vai pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.
O poeta tem o coração claro das aves
E a sensibilidade das crianças.
(...)

Ele é cheio de amor para as coisas da vida
E é cheio de respeito para as coisas da morte.
(...)
A sua poesia é a razão da sua existência
Ela o faz puro e grande e nobre
E o consola da dor e o consola da angústia.
A vida do poeta tem um ritmo diferente
Ela o conduz errante pelos caminhos,
pisando a terra e olhando o céu
Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis.
VINÍCIUS DE MORAIS

METAPOEMA

Escrever é tessitura:
juntar silêncio e ternura
para que a vida,
num bordado,
seja encanto
e tenha voz...
( Imagem de autor desconhecido )

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

SOBRE AS BÊNÇÃOS

"Quantas vezes deixamos de receber as bênçãos que nos são dadas. Não paramos nem abrimos espaço para acolhê-las. Enchemos a nossa vida de tantas outras coisas que não sobra lugar para abrigá-las. Uma das minhas pacientes me disse uma vez que vê as pessoas como se estivessem circundadas por suas bênçãos, paradas no ar às vezes durante muitos anos, como aviões esperando a sua vez de pousar nos aeroportos, sem lugar para descer. Ficam aguardando um instante do nosso tempo, da nossa atenção."
RACHEL NAOMI REMON
em "Histórias do meu avô"
(Imagem de autor desconhecido )

CONCLUSÃO

[ A Literatura agradece!... ]

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ESTRADA DO SOL

[ Para que a chuva dê uma trégua
nas ruas, nas casas, nas vidas!...
E que o sol nos reaqueça as esperanças!... ]


"É de manhã,
vem o sol, mas os pingos da chuva
que ontem caiu
ainda estão a brilhar,
ainda estão a dançar
ao vento alegre
que me traz esta canção...
(...)
Me dê a mão,
vamos sair pra ver o sol!"
TOM JOBIM e DOLORES DURAN
(Imagem de autor desconhecido )

POEMAS DE DEZEMBRO

[ Que DEZEMBRO chegue com doçura
e abra nossos corações às promessas de Luz e Paz!... ]
Quem me acode à cabeça e
ao coração
neste fim de ano, entre
alegria e dor?
Que sonho, que mistério,
que oração?
Amor.

( Dezembro de 1985 )

Fonte da imagem: Bat. Designz



Fazer da areia, terra e água
uma canção
Depois, moldar de vento
a flauta
que há de espalhar esta canção
Por fim tecer de amor
lábios e dedos
que a flauta animarão
E a flauta,
sem nada mais
que puro som
envolverá o sonho
da canção
para todo o sempre, neste
mundo
( Dezembro de 1981 )

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Fonte da imagem: http://www.artesobremadera.com/











sábado, 29 de novembro de 2008

NATURAL

E quando o mar fez parceria com nuvem e céu,
a voz de tudo se aquietou;
a luz, em cada traço,
foi servida sem recato -
em torno a vida espraiava...
( Imagem de autor desconhecido )

POSE EM PRETO E BRANCO


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

SOBRE A SOLIDÃO

( Fonte da imagem: www. egasmoniz2.blogs.sapo.pt )

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

COM O SABER CRESCE A DÚVIDA

Devo ensinar-lhe, Tzu-lu, no que consiste o conhecimento? Quando você sabe alguma coisa, reconhecer que sabe; e, quando você não sabe alguma coisa, reconhecer que não sabe. Isso é conhecimento.
CONFÚCIO ( Século IV A.C. )

terça-feira, 25 de novembro de 2008

LIVROS NOVOS!

Não resisti; acabei comprando para meu 'kit" de férias!
Acho que são bem interessantes!

"MEDO LÍQUIDO" e "AMOR LÍQUIDO - sobre a fragilidade dos laços humanos" são de um dos sociólogos mais respeitados da atualidade: ZYGMUNT BAUMAN.
O primeiro nos mostra que, "no início do século XXI, o medo generalizado está de volta. Tememos catástrofes naturais, a violência das grandes cidades, o terrorismo, o desemprego, a rejeição amorosa. Vivemos sob ansiedade constante e a ameaça de perigos que podem se tornar realidade a qualquer momento, em qualquer lugar."
O segundo nos adverte sobre o fato de que "a modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos - um amor líquido. A insegurança inspirada por essa condição estimula desejos conflitantes de estreitar laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos." O autor "radiografa esse amor, tanto nos relacionamentos pessoais e familiares quanto no convívio social com estranhos. Com a percepção fina e apurada de sempre, busca esclarecer, registrar e apreender de que forma o homem sem vínculos - figura central dos tempos modernos - se conecta."
"RESISTÊNCIA" é a história de AGNÈS HUMBERT, uma mulher que desafiou Hitler; é uma espécie de diário secreto dela, publicado incialmente na França, em 1946 e depois esquecido. "Até a sua captura, nos primeiros meses de 1941, AGNÈS registrou os fatos, dia após dia, e suas anotações nos permitem acompanhar cada passo da Resistência. Feita prisioneira, ela não tinha como escrever em seu diário. Contudo, ao ser libertada, em 1945, dedicou-se a repassar os fatos em sua memória para registrá-la ainda no calor dos acontecimentos."(...). É o testemunho do espírito indomável de uma mulher, e um tributo eloqüente ao sacrifício e à coragem dos seus camaradas que não sobreviveram."
O livro é prefaciado por MARINA COLASANTI que, a certa altura, destaca:
"As mulheres sempre perdem a guerra. Não a querem, mas a perdem. O livro de Agnès Humbert, entretanto, consegue não ser um livro de perdas. Eu diria até que é um livro de conquistas. Quando se é obrigada a passar seis semanas sem trocar a roupa íntima, proibida de lavá-la e praticamente sem lavar-se, quando os piolhos infestam a cabeça e a fome devora o estômago, manter a dignidade é uma conquista diária. Quando o trabalho é forçado e massacrante, quando não há agasalho contra o frio nem colchão para deitar, quando não há espaço, não há proteção, não há trégua, manter vivos fraternidade e altruísmo é uma conquista."
Por fim, "O LIVRO DAS CITAÇÕES", de EDUARDO GIANNETTI, "fruto de três décadas de garimpo" do autor e feito integralmente de fragmentos de outros livros! "O prefácio é uma coleção de citações sobre a inutilidade dos prefácios; a conclusão reúne passagens sobre a arte de concluir."
Parece um material maravilhoso, não?
Agora você entendem por que não resisti a eles?
É sedução pura, caríssimos!...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

EXERCÍCIO PARA QUEM GOSTA DE ESCREVER

( Imagem de autor desconhecido )

(...) Catar conchinhas... Eis aí uma deliciosa brincadeira para quem deseja ser escritor. A alma é um grande mar que vai depositando conchinhas no pensamento. É preciso guardá-las. Quem deseja ser escritor há de aprender com as crianças a catar conchinhas, pensamentos avulsos como esses com que estou brincando, e guardá-las num caderninho.(....) O problema com os aprendizes é que eles pensam que literatura se faz com coisas importantes. O que torna a conchinha importante não é o seu tamanho, mas o fato de que alguém a cata da areia e a mostra para quem não a viu: "Veja...".
Literatura é mostrar
conchinhas...


RUBEM ALVES

domingo, 23 de novembro de 2008

SILÊNCIO...

[ Tem gente que não gosta dele;
às vezes, até se incomoda...
... mas é preciso aprender a ouvi-lo!... ]



ESSÊNCIA...

DA VIDA!

[ A imagem, eu encontrei em um dos muitos blogs da MEL,
mas desconheço sua autoria. ]

sábado, 22 de novembro de 2008

"CLICK"!

POOL AND VIEW
CRIS MENA
[ Uma integração total com o AZUL...
Silêncio, luz e cor...
Serenidade!...
Quem não precisa de momentos assim?... ]

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

PARA ENTRAR NO TOM

"Canta, canta, minha gente,
deixa a tristeza pra lá!...
Canta forte, canta alto,
que a vida vai melhorar!..."

MARTINHO DA VILA
( Desconheço o autor da foto )

O MELHOR AMOR

[ Para que o AMOR, em nós,
seja FONTE DE VIDA!...]

Uma vez ouvi alguém dizer: " O melhor amor é aquele que provoca em nós os nossos melhores sentimentos." Isto já tem mais de trinta anos, a frase ficou grudadinha na minha memória.
Retomo-a agora. É uma frase intrigante. Primeiro porque instila a idéia de que existe um "melhor amor". Se assim é, então deve existir também um "pior amor". Isto desestabiliza a idéia de que o amor é sempre uma coisa una e indivisível, que é em si sempre algo sublime, fora de nós, e que certos amantes é que não sabem como lidar com ele.
Ocorreu-me de novo aquela frase, porque alguém ( há sempre alguém nos dando frases de presente ), numa conversa banal, disse que fulano era especialista em murchar mulheres. Havia casado umas três vezes e o que eram namoradas viçosas e apetecíveis transformaram-se em cinzas e apagadas matronas olhando a vida como um trem que se afastasse deixando-as murchas na estação.
Tem gente, portanto, que tem DNA de sanguessuga. Crava o dente na alma do outro e a esvazia. No entanto, a convivência amorosa deveria trazer vida, alegria, comunicabilidade, enfim, despertar em cada um o que cada um de melhor tem.
Em Belo Horizonte, houve uma miss Brasil esfuziantemente linda, que casou com um empresário e obnubilou. É essa a palavra que me ocorre, e - como dizia o mestre Aurélio - a gente tem que dar oportunidade às palavras. A moça enevoou-se, apagou-se, sumiu do mapa, seqüestrada na tristeza. Obnubilou-se.
Alguém vai dizer: "Isto também ocorre do lado feminino." E eu não sei? Já não vimos aquele filme com a Marlene Dietrich, O anjo azul, em que "a mulher fatal", como uma aranha no cio, uma gafanhota perversa, vai destruindo o indefeso e apaixonado professor?
Picasso foi um grande, imenso exemplo de destruidor de mulheres. Algumas se matavam, outras iam enlouquecendo. Isto pode ser revisto naquele filme tirado do livro que uma de suas mulheres escreveu. Aliás, se acharem suspeitos os depoimentos expressos pela vida de suas sete esposas oficiais, basta considerar a frase que Paul Éluard - poeta francês contemporâneo do pintor - certa vez disse depois de fazer um exame de caligrafia daquele minotauro amoroso: "Picasso ama intensamente, mas ele destrói quem ama."
Portanto, se há um "melhor amor" e um "pior amor", há amor que mata e amor que vivifica. Por isto, alguém pode indagar: "Por que há gente que fica presa ao 'pior amor'? Por que sofre de insônias? Por que fica grudada no telefone que não toca? Por que continua dando presentes e recebendo rejeição de volta? Por que tolera certas humilhações públicas e íntimas?"
É que nem sempre se pode sair de um pântano, de uma areia movediça, sem agarrar-se a um galho, uma corda ou outro tipo de socorro. E as neuroses são como o cigarro. O fumante, mesmo sabendo que aquele vício mata, nem sempre consegue dele se libertar. E assim como quem já deixou a bebida sabe que não se deve tomar um trago nem por brincadeira, quem já sofreu burramente por causa de um amor ruim deve precaver-se.
O melhor amor é aquele que desperta em nós os nossos melhores sentimentos. Aí, então, nossa pele remoça, os olhos brilham e somos capazes de atravessar os anos numa fecundante aura.
Affonso Romano de Sant'Anna
em "Tempo de Delicadeza"

( Imagem de autoria desconhecida )

METÁFORA (II)

Os anos
são velhos sinos
que repicam
com expressão de nostalgia:
tempo bom!... tempo bom!...
tempo bom!...

( Imagem de autor desconhecido )


quinta-feira, 20 de novembro de 2008

SIMPLES...

Quero que a menina me tome pelas mãos
e me ensine, de novo, a correr pela vida
sem cuidados ou medida.

Quero um tempo de mim,
com asas e borboletas
brotando pelos jardins.
Um tempo de ressonâncias
e sonhos abertos ao vento -
invisível companheiro da memória...

Quero, outra vez,
sentar à sombra das árvores,
abrir portas
para histórias encantadas
e decorar o céu
em seu bordado de estrelas.

Porque
há um sentido em cada coisa,
e viver pode ser simples
como uma flor...

PRECONCEITO

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

RODA VIVA

"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu.
A gente estancou de repente
ou foi o mundo, então, que cresceu?
A gente quer ter voz ativa,
no nosso destino mandar,
mas eis que chega a roda viva
e carrega o destino pra lá..."
( CHICO BUARQUE )
[ Se momentos assim nos chegam, apontando desânimo e apatia,
é hora de recarregar a alma; buscar na vontade firme,
o apoio para sair da paralisia momentânea
e seguir adiante neste percurso abençoado que se chama VIDA!...]
( Desconheço a autoria da imagem )

terça-feira, 18 de novembro de 2008

NECESSIDADE

"É preciso ser leve como o pássaro,
e não como a pluma."

PAUL VALÉRY-
Poeta e filósofo francês
( Imagem de autor desconhecido )

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PALAVRAS SÁBIAS

( Desconheço o autor da imagem )

TRADUZINDO...

As ovelhas que lêem muito
se tornam negras.
[ E cultas também! ]
( Ilustração de Elena Ospina )

sábado, 15 de novembro de 2008

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA ( "BLINDNESS")


Há dois dias, assisti a esse maravilhoso filme! Já conhecia alguns fragmentos do livro - profundo e instigante, mas ainda não o havia lido integralmente.
Fiquei com a cabeça fervilhando...
É um filme que nos faz enxergar!...
Assitam! "Sua visão do mundo nunca mais será a mesma"!

SINOPSE:
"O vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, JOSÉ SARAMAGO, e o aclamado diretor FERNANDO MEIRELES ( O Jardineiro Fiel, Cidade de Deus ) nos trazem a comovente história sobre a humanidade em meio à epidemia de uma misteriosa cegueira. É uma investigação corajosa da natureza, tanto a boa como a má - sentimentos humanos como egoísmo, oportunismo e indiferença, mas também a capacidade de nos compadecermos, de amarmos e de perseverarmos.
O filme começa num ritmo acelerado, com um homem que perde a visão de um instante para outro enquanto dirige de casa para o trabalho e que mergulha em uma espécie de névoa leitosa assutadora. Uma a uma, cada pessoa com quem ele encontra - sua esposa, seu médico, até mesmo o aparentemente bom samaritano que lhe oferece carona para casa terá o mesmo destino. À medida que a doença se espalha, o pânico e a paranóia contagiam a cidade. As novas vítimas da "cegueira branca" são cercadas e colocadas em quarentena num hospício caindo aos pedaços, onde qualquer semelhança com a vida cotidiana começa a desaparecer.
Dentro do hospital isolado, no entanto, há uma testemunha ocular secreta: uma mulher ( JULIANNE MOORE , quatro vezes indicada ao Oscar ) que não foi contagiada, mas finge estar cega para ficar ao lado de seu amado marido ( MARK RUFFALO ). Armada de uma coragem cada vez maior, ela será a líder de uma improvisada família de sete pessoas que sai em uma jornada, atravessando o horror e o amor, a depravação e a incerteza, com o objetivo de fugir do hospital e seguir pela cidade devastada, onde eles buscam uma esperança.
A jornada da família lança luz tanto sobre a perigosa fragilidade da sociedade como também no exasperador espírito de humanidade."
****************
Saí do cinema decidida a fazer a leitura do livro.
Acho que será muito enriquecedora a todos nós!
Por isso, desde já, deixo aqui alguns de seus trechos ,
como meditação e incentivo a que vocês também se interessem por ele!
************


"Se podes olhar, VÊ. Se podes ver, REPARA."


( Fonte da imagem: www.leomello.com )
"Penso que não cegámos, penso que estamos cegos,
Cegos que vêem,
Cegos que, vendo, não vêem."

********

" (...) O medo cega, disse a rapariga de óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos (...)"

*******

"(...) Se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as conseqüências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada por todos os dias do futuro, incluindo aqueles infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala."

***************





NAS "DOBRAS" DO SONO...


( Imagem de autoria desconhecida )

terça-feira, 11 de novembro de 2008

CONEXÃO

( Desconheço o autor da foto )

O NOME DO TESOURO

[ Mais um incentivo ao nosso desbravamento individual... ]

O grande tesouro é cada um!
Você é o seu tesouro e seu natural explorador.
É preciso decifrar o mapa e saber que tesouros são variados:
tem tesouro só de ouro
tem tesouro só de prata
tem tesouro só de diamante
tem tesouro que é legítimo
tem tesouro que é pirata
só de pedra preciosa
só de rima
só de prosa
só de quadros preferidos
só de vinhos
só de rosa
só do que acho que é lindo
só do que é bem-vindo.
Tem tesouro que, escondido,
está bordado nos sentidos
e a gente não vê não escuta
não fareja não degusta não sente
tem tesouro safado
tem tesouro inocente
há os ilustres
e há ilustres embustes.
"Conhece-te a ti mesmo" é excelente dica
para se saber o segredo da esfinge
mas há tesouro de verdade
e há tesouro que finge
há tesouro que é louro
mas há tesouro que tinge
há tesouro que nada alcança
há tesouro a que nada atinge.
É esse o desafio, conhecer-se:
sua casa seus corredores suas panelas seus esconderijos
os amigos dessa casa seus sabotadores
suas maravilhas seus horrores.
Pois que pode ser que no meio do baú
encontre-se junto à riqueza algum mato
algum ferro velho algum carcomido casco de navio
algum joio algum lodo alguma lama com certeza
o lixo ao lado do luxo
e é nosso o trabalho de escolhas.
Um trabalho fundo eterno e constante
há tesouro que é certo
há tesouro que é errante
mas a boa-nova é que tudo tem jeito
porque todo tesouro é mutante.
ELISA LUCINDA
São Paulo,29 de março de 2004
Fonte do poema: "A Fúria da Beleza"
**********
" O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando.
Afinam e desafinam. Verdade maior.
É o que a vida me ensinou.
Isso que me alegra, montão."
( Riobaldo, no romance
"Grande sertão: veredas", de Guimarães Rosa )
( Imagem de autor desconhecido )






segunda-feira, 10 de novembro de 2008

ESSENCIAL É...

ENTERNECER-SE
POR TUDO
QUE SE CHAMA VIDA!...
( Imagem de autor desconhecido )

UM TEXTO; UMA REFLEXÃO

À ESPERA DOS BÁRBAROS
( Affonso Romano de Sant'Anna )
Fonte da imagem: www.photobucket.com

O poeta grego Konstantinos Kavafis ( 1863-1933 ) tem um intrigante poema chamado "À espera dos bárbaros", em que narra que uma cidade vivia em função da chegada desses estranhos. Tudo estava ligado a isso. Ninguém modificava mais nada, porque os bárbaros vinham aí. Senadores não legislavam mais, para quê? apenas esperavam; cônsules punham suas togas bordadas, aguardando; o povo reunia-se na praça principal especulando, e até o rei postou-se na porta da cidade para saudar os invasores.
Sucedeu, no entanto, que notícias vindas das fronteiras, espantosamente, afirmavam que não havia mais bárbaros. E o poema termina dizendo:
"Sem bárbaros o que será de nós.
Ah! Eles eram uma solução."
O que espera a pessoa que espera?
Qual a função da espera?
O que o esperar pode ocultar?
A psicanálise fala da "espera angustiante", que provoca pesadelos, alucinações e incômodos de toda ordem.
Não parece ser esta exatamente a situação descrita nesse poema. Ao contrário, as pessoas estão bem dentro dessa espera. Alojaram-se nela confortavelmente. A espera as faz adiar projetos, obrigações, enfim, a vida.
No caso brasileiro, um povo que há quinhentos anos espera ser "o país do futuro", há uma outra frase que também explica nossa vocação para a espera: "Calma que o Brasil é nosso".
Claro que, nesse caso, reconheçamos, o que era uma espera calma está se tornando uma espera angustiante.
Em O deserto dos tártaros, Dino Buzzatti descreve uma fortaleza na borda do deserto, esperando um ataque inimigo, que nunca ocorre. As sentinelas ficam ali aguardando-aguardando e nesse aguardar passam a vida.
Em O castelo, Kafka narra a situação do personagem que passou toda a vida inutilmente esperando que a porta do castelo se abrisse para ele, sem se dar conta que ela, na verdade, já estava aberta.
Em Esperando Godot, Beckett coloca dois personagens esperando um misterioso personagem, que está para chegar, o qual não sabem quem é nem quando virá, mas essa espera vazia preenche suas vidas.
Eis aí exemplos da espera como uma forma concreta e imaginária de preencher o vazio.
Tanto quanto na ficção, na realidade muitas vezes espera-se que a solução venha de fora. Ainda que através de um choque, revolução ou catátrofe. Neuróticos podem esticar sua neurose ao extremo para ver se alguém os socorre, como quem procura o lugar mais fundo da piscina para que outros, alarmados, o salvem.
Algumas religiões estipulam o juízo final como uma espécie de catástrofe redentora que, paradoxalmente, possibilitaria a redenção.
É também a salvação de fora para dentro.
Da mesma maneira outros concebem a danação vinda também de fora para dentro, como forma culposa de redenção.
É estranho, mas, às vezes, o oponente, o mal, o invasor, o bárbaro terminam por conferir sentido às pessoas e comunidades.
O desnorteante é descobrir que o mal às vezes é imaginário, o oponente está dentro de nós e os bárbaros não virão.
Crônica extraída do livro "Tempo de Delicadeza"

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