sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A POESIA DE DICKINSON

EMILY DICKINSON
(1830-1886)

Conheci-a quando ainda cursava a faculdade de LETRAS. Foi-me apresentada, com doçura, por minha professora de Literatura norte-americana. Isso já faz um certo tempo. Lembro ainda o quanto sua presença poética me emocionou.
Hoje, ao retornar de minha caminhada habitual, passei por uma livraria - meu vício de sempre! - e me vi diante de uma seleção de poemas seus. Não resisti. Abri o livro como quem toca um relicário. Nosso reencontro foi suave... Trouxe-a comigo. Reli-a como quem busca por a conversa em dia.
É, junto com Walt Whitman, um dos grandes nomes da lírica norte-americana do século XIX.
Sua vida, um percurso solitário, entrecortado por crises depressivas. Seus versos, somente encontrados e publicados após sua morte, ora são "de indizível leveza, sobre pequenas coisas do dia-a-dia e a fluidez do tempo, ora composições mais pesadas, que tratam da morte e de tensões psicológicas."
Contam seus biógrafos que, dias antes de sua morte, escreveu um lacônico bilhete para suas primas: "Fui chamada a retornar./ Emily". Despediu-se desta vida também com poesia...
Selecionei dois de seus maravilhosos poemas para este post.
Pretendo que lhes falem à alma!...
Moro na possibilidade,
Casa mais bela que a prosa,
Com muito mais janelas
E bem melhor, pelas portas
De aposentos inacessíveis,
Como são, para o olhar, os cedros,
E tendo por forro perene
Os telhados do céu.
Visitantes, só os melhores;
Por ocupação, só isto:
Abrir amplamente minhas mãos estreitas
Para agarrar o paraíso.
*******
Os instantes Superiores da Alma
Acontecem-lhe - na solidão -
Quando o amigo - e a ocasião Terrena
Se retiram para muito longe -
Ou quando - Ela Própria - subiu
A um plano tão alto
Para Reconhecer menos
Do que a sua Onipotência -
Essa Abolição Mortal
É rara - mas tão bela
Como Aparição - sujeita
A um Ar Absoluto -
Revelação da Eternidade
Aos seus favoritos - bem poucos -
A Gigantesca substância
Da Imortalidade.
Imagem: Alessepif

5 comentários:

Beth/Lilás disse...

Maravilha!
Não a cohecia, só de nome, mas nunca parei para ler seus poemas. Lindos!
Obrigada por nos apresentar coisas tão bacanas!
bjs cariocas

Irmão Sol, Irmã Lua disse...

Querida irmã,
Lindos versos de uma alma sofrida, que percebeu e interpretou a vida além dos seus sentidos materiais.
Grato por compartilhá-los conosco, pois coisas assim nos alimentam a alma.
Ternamente,
Benja.

Carol Timm disse...

Querida Rose,

Acredita que comprei um mini-livro da Emily hoje, na Livraria Cultura de Recife?

Pois é, essas coincidências tornam o mistério da vida ainda mais encantador.

Beijos e um bom domingo para ti!
Carol

Vieira Calado disse...

Não a conhecia.

Obrigado.

Cumprimentos meus

Marilac disse...

Rose,
Quanta ternura e poesia até ao narrar o reencontro na livraria...
Adorei aprender mais um pouco sobre Emily Dickinson e como são belos os poemas que você selecionou.

bjs
Marilac

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